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Blog Vida de Cão - Veja Rio

 

Alguns Casos

Golden Retriever, macho, não castrado, de 12 meses: ansioso, pula e rasga a roupa dos donos, morde as pessoas, puxa na guia arrastando seus donos.
 
O Cenário:

Golden Retriever, macho, não castrado, de 12 meses.
Problemas comportamentais: ansioso; pula e rasga a roupa dos donos quando chegam em casa; morde as pessoas que tentam se aproximar para fazer carinho, mas não é agressividade; puxa na guia arrastando seus donos; os donos se queixam que precisam deixar o carro na rua, pois o cachorro pula e arranha o carro, praticamente não deixa os donos saírem da garagem e arranha e morde a porta que separa a casa da garagem quando é deixado sozinho. O cão mora numa casa muito grande, mas seu espaço é limitado à garagem.
A família é constituída pelos pais jovens, entre 25 e 40 anos de idade, dois filhos de 9 e 8 anos, três empregados.

O Caso:
Logo que cheguei na casa fui avisada que eu seria "atacada" pelo cachorro e que eu deveria ficar preparada para sair de lá cheia de hematomas, e a primeira impressão que tive foi de que o caos reinava e que tínhamos na mão um cachorro negligenciado, mas também com falta grave de temperamento.

Me chamou a atenção que não haviam brinquedos para o cachorro, e nem mesmo equipamentos de trabalho dos empregados. De repente, da abertura da casinha de cachorro aparece uma cabecinha loira e um olhar curioso. Numa fração de segundos eu já estava vendo um Golden de tamanho avantajado, vindo em minha direção e com cara de doido. Não deu nem tempo de me preparar direito. Levei uma patada no peito que me deixou quase sem ar, uma cheirada bem no meio da cara e quase que ao mesmo tempo eu comecei a sentir o cachorro puxando meus cabelos e mordendo a minha cabeça. É verdade que ele não mordia com agressividade, era muito mais um gesto de ansiedade, de querer me segurar e me fazer reagir de alguma maneira.

Com muito custo, e com muita baba na cabeça e na roupa, finalmente eu consegui tirar o cachorro de cima de mim. Consegui? Bem, ele parou de puxar o meu cabelo, mas começou a puxar a minha roupa, rasgando-a.

Depois de uns 15 minutos de luta corporal, finalmente eu consegui me desvencilhar do peludo com a ajuda do caseiro, e resolvi que era melhor conversar na sala. Eu já tinha visto o suficiente por uma primeira visita!
Já na sala e refeita do susto, pude começar a minha entrevista com a dona.

Pude saber, por exemplo, que eles haviam comprado o Golden de um criador respeitado, que eles haviam conhecido a mãe e o pai do cachorro e que eles eram absolutamente calmos e gentis. Na hora da escolha do filhote eles reconhecem que acabaram escolhendo o mais agitadinho do bando, mas este não me pareceu o fator determinante.

A verdade é que logo após a compra do filhote os donos resolveram iniciar uma reforma geral na casa, que deveria durar uns 4 meses no máximo. Já se passavam 10 meses e a obra não tinha sinais de que iria terminar tão cedo. No início o peludo ficava dentro de casa e dormia no quarto das crianças, mas por que o filhote começou a andar no cimento, se esfregar na parede com tinta fresquinha, comer o rolo de papel de parede e ter uma porção de "misteriosas" alergias, ficou decidido que ele iria para a garagem enquanto a obra não acabasse.

Para completar, neste meio tempo, as crianças voltaram às aulas e para as 9700 atividades extra-curriculares. A mão tentava desesperadamente tocar a obra e o pai estava trabalhando como nunca. A conseqüência é que ninguém tinha tempo para ir ver o filhote durante a semana. Nos fins de semana eles até que tentavam, mas o filhote pulava demais, mordia a mão demais, e fica agitado demais. Quando ele era posto para dentro de casa o cão fazia xixi e cocô por tudo o que era canto, roubava os brinquedos das crianças, destruía as havaianas... era um horror.

Ele teria que esperar até a obra acabar...mas a obra não acabava nunca.
Perguntei porque ele não tinha brinquedos, e a dona me disse que desistiu de comprá-lo, pois ele destruía todos os brinquedos em pouco tempo.

Ele também desenvolvera o hábito de engolir os pedaços dos brinquedos. Perguntei sobre que ração ele comia e quantas vezes por dia. Fiquei sabendo que ele comia uma ração importada, para cães que tinham muita energia e que faziam muito exercício, e que ele era alimentado uma vez por dia.

Ela acabou me confidenciando também que o marido era o que tinha menos paciência, e costumava dar joelhadas no cachorro quando ele pulava. Chegou a bater no cachorro algumas vezes, mas parecia que nada adiantava.

Ficou claro para mim que este cão tinha passado tanto tempo sozinho que simplesmente se comportava como um selvagem. Ele não tinha companhia nem orientação para aprender a se comportar socialmente. Além disso ele "aprendeu" que a única maneira de ganhar atenção era pulando, mordendo, puxando, tentando segurar as pessoas a qualquer custo. Claro que ele ganhava umas pancadas aqui e ali, mas isso era melhor do que ser totalmente ignorado. Ele se tornou um poço de ansiedade, desesperado por ter a presença dos donos, ou para poder entrar em casa num descuido qualquer. Aliás, ele aprendeu que se ele arranhasse a porta e latisse sem parar, um empregado acabaria vindo para lhe dar uma bronca e esta era a oportunidade que ele precisava para forçar a sua passagem pelo meio das pernas do incauto. Uma vez dentro de casa ele precisava correr desesperadamente, pois ele sabia que eventualmente seria pego e tomaria mais algumas pancadas. Se ele fosse esperto e rápido bastante conseguiria roubar algum pertence da casa. Um pano de copa, um tapete, um brinquedo, qualquer coisa seria um belo troféu.

A comida também estava totalmente inadequada, já que ele estava recebendo uma ração calórica e cheia de proteínas, necessária para um cachorro atleta, e cheio de atividades físicas, e não para um cachorro agitado e sem controle. Por incrível que pareça este é um erro bastante comum entre os donos de cachorros hiperativos. Para piorar ele comia só uma vez por dia, ficando por um período de 24 horas até a próxima refeição.

As propostas:
Neste caso precisávamos de inúmeras mudanças na rotina da família, e também da participação de todos.
Era preciso trocar a ração do cachorro para uma adequada ao nível de atividade e de crescimento dele. Era preciso exercitá-lo com regularidade, ainda que isso significasse ter que andar sendo arrastado no começo. Brinquedos resistentes e de texturas diferentes deveriam estar disponíveis durante o dia todo, e também precisariam ser renovados de tempos em tempos. Afinal, é melhor ter brinquedos destruídos do que ter a casa destruída. Aconselhei ainda que o cachorro tivesse acesso à casa, regularmente e sempre na guia para que ele pudesse aprender a fazer parte da rotina da família sem precisar sair correndo e roubando tudo. Nestas horas, em que ele estivesse dentro da casa, seria ideal que ele tivesse junto de si um brinquedo especialmente adorado. Uma unha de vaca, por exemplo, para que ele tivesse com o que distrair, e não ficasse tentando chamar a atenção da família.

Até aqui estava tudo fácil, a dona estava disposta a ajudar e a implantar estas mudanças. As dificuldades começaram quando o pedido envolvia o resto da família e também aos exercício de obediência e brincadeiras orientadas. Todos da família, sem exceções, deveriam reservar uma pequena parte do dia para executar exercícios de obediência e brincadeiras orientadas, para que o peludo pudesse aprender a interagir sem brutalidade e de maneira controlada.

Conclusão:
No final de 4 meses o cachorro já era outro com relação a dona (a única que se dispôs a trabalhar com ele corretamente). Ela já podia entrar e sair da garagem sem dificuldades, levá-lo para passear sem ser arrastada, brincar de bolinha com ele, sem que o cão ficasse pulando, sujando a roupa da dona, e nem rasgando-a. ele já não tentava mais derrubar a porta para entrar em casa. Mas foi só o que conseguimos. Tanto o pai, quanto os filhos, não queriam mais contato com o bichão e com eles praticamente não houve melhora...

Dei o trabalho por encerrado. Os métodos de mudança comportamental deste pobre cão já estavam todos definidos, testados, e provados que funcionavam. Agora era a vez dos humanos se mostrarem preocupados e engajados neste trabalho, e depois de três meses de trabalho duro eu vi que não tinha mais argumentos para motivá-los.

 


Um pequeno Yorkshire, com 9 meses de idade, não castrado, sem problemas de comportamento, dona com deficiência de locomoção.
 
O Cenário:

Um pequeno Yorkshire, com 9 meses de idade, não castrado, sem problemas de comportamento. A dona tem deficiência de locomoção e gostaria que o pequeno Hulk ficasse comportadamente sentado no colo dela quando eles fossem passear na cadeira de rodas motorizada e que aprendesse noções básicas de obediência para que pudesse acompanhá-la em restaurantes e pequenas visitas. No pequeno apartamento moram a Vera (dona), o Hulk (York) e uma empregada que não dorme.

O Caso:
Quando conheci o Hulk fique impressionada com a energia daquele pequeno cachorro. Ele corria de um lado para o outro, sem parar. Mordia nervosamente as mãos de qualquer um que tentasse acariciá-lo, não conseguia atender pequenos comandos como ficar sentado para ganhar um petisco, e toda vez que jogávamos um brinquedo para ele, o pequeno saía correndo pela casa e era impossível resgatar o brinquedo sem que houvesse uma grande luta.

Apesar disto tudo a Vera se mostrava muito positiva sobre o bichinho e estava disposta a se comprometer com o treinamento. Ela tinha dois medos básicos. Um de que o Hulk ficasse pulando do colo dela para o chão quando eles fossem passear na cadeira, correndo inclusive o risco dele ser atropelado no meio de uma travessia, e outro de que ele importunasse as pessoas, pois apesar de não ser "oficialmente" um cão de trabalho, ela pretendia levar o Hulk para acompanhá-la no maior número possível de lugares.

Felizmente a Vera tinha uma grande disponibilidade de tempo para se dedicar ao Hulk, além dos dois terem uma ligação afetiva muito forte. Era possível ver naqueles olhinhos encapetados que o pequeno peludo estava doido para arranjar um "trabalho" que deixasse sua dona feliz.

No nosso primeiro contato, conversei muito com a Vera e expliquei a ela que o Hulk tinha um grande potencial. Eu estava disposta a fazer dele mais do que um simples "caronista" da cadeira, mas também deixei claro que não teríamos um cachorro de trabalho completo. Decidimos estimular o Hulk ao máximo, usar todo o seu potencial, mas manter o treinamento todo baseado em brincadeira, e nunca em punições.

A proposta:
Começamos a trabalhar com o Hulk para que ele se sentisse confortável perto da cadeira motorizada (na verdade uma "scooter" que é uma cadeira triciclo, onde o condutor tem os controles de aceleração e freio junto ao guidão). Ensinamos o peludo a ficar sentadinho e só descer da cadeira com o comando da dona. No início eram passeios curtinhos, mas em pouco tempo já estávamos passeando por várias quadras, chamando a atenção das pessoas. Foi justamente por causa desta "atenção" que tivemos que iniciar outra fase do treinamento. A partir daquele dia o Hulk só poderia "falar com as pessoas" com o consentimento da dona. Mais uma vez obtivemos um sucesso enorme.

Para não deixar o malandrinho muito preguiçoso, incluímos o comando "junto" para que ele caminhasse ao lado da cadeira, sem se meter no meio das rodas, nem ficar para trás, nem andar na frente, e também aprendendo a desviar dos obstáculos (e como eles existem! Fiquei impressionada como as nossas cidades são tão mal planejadas e preparadas para os deficientes se locomoverem com independência).

Foi um imenso prazer acompanhar esta dupla e vê-los trabalhando com tamanha harmonia e cumplicidade. Hulk estava muito mais feliz em ter coisas novas para aprender e novas tarefas para executar. Vera estava muito mais alegre e comunicativa, muito mais motivada para sair e simplesmente orgulhosa em ver o progresso do seu pequeno companheiro.

Um belo dia nós tivemos um grande susto. Uma cadelinha linda, charmosa e no cio chamou a atenção do nosso pupilo. Apesar dele estar na guia, o movimento dele foi tão imediato e brusco que o Hulk conseguiu se soltar da mão da dona e saiu correndo pela rua, atrás de sua amada. A Vera ficou branca de susto e chegou a passar mal. Assim que ela conseguiu se acalmar me perguntou o que poderíamos fazer para que isso nunca mais acontecesse. Expliquei a ela que com hormônios atuando era praticamente impossível garantir que o treinamento evitaria que Hulk desse uma outra escapada, se a oportunidade aparecesse. O ideal seria uma castração. Seria muito mais seguro para a Vera e para o Hulk. Imediatamente ela aceitou a idéia e entrou em contato com o veterinário. Hulk foi castrado na semana seguinte e saiu muito bem da cirurgia. Seu temperamento alegre e cooperativo não mudou em nada, mas com 3 meses da cirurgia já podemos notar que ele se mostrava mais sério e focado durante o "trabalho".

Aproveitando a motivação do Hulk e da Vera nós ainda ensinamos duas tarefas úteis para o dia-a-dia. Hulk aprendeu a pegar e trazer as chaves da casa da Vera (especialmente quando elas caiam no chão) e também a pegar e trazer o celular da dona quando ela solicitasse.

Ficar deitado perto da dona, ou mesmo nos pés da cadeira, rejeitar comida oferecida por estranhos e não pular nas visitas foi facílimo para o Hulk.

Conclusão:
Muitas vezes nós mesmos ficamos surpresos com a disposição e boa vontade destes bichinhos para com a gente. O Hulk é um destes belos exemplos. Ele foi dado para Vera apenas para fazer-lhe companhia e talvez deixá-la um pouco mais alegre. Ele não tinha pedigree, não tinha seleção genética pro trás do seu nascimento, nem era naturalmente um modelo de comportamento. Mas a vontade dele em agradar sua dona, e a monumental disposição da dona em investir nesta relação e no treinamento correto do peludinho fez com que atingíssemos metas muito além das planejadas.

Depois de trabalhar com Vera e Hulk por pouco mais de um ano devo confessar que sinto falta deles. Mas tenho certeza de que eles são grandes companheiros e que ainda irão aperfeiçoar este relacionamento por muito tempo.

 


Cocker Spaniel Inglês de pouco mais de 5 anos está muita agressivo com sua família humana.
 
O Cenário:

Rusty, um lindo Cocker Spaniel Inglês de pouco mais de 5 anos está dando problemas. Ele está muito agressivo com a sua família humana, composta da dona (Daise), dois filhos (Marcos de 17 anos e Roberto de 19), e o pai de dona Daise, um senhor de cerca de 70 anos. Todos já foram mordidos na casa. Empregada eles não podem ter, nem elas querem trabalhar no apartamento. Visitas só podem chegar se forem avisadas antes para que Rusty seja preso em uma coleira na janela do quarto. A dona só foi mordida por "acidente" enquanto que os filhos e mesmo o pai dela são regularmente ameaçados e agredidos. Nós fomos recomendados pelo veterinário de Rusty, que já recomendou a castração.

O Caso:
Apesar da maioria dos casos de agressão de cockers ser entre os cães de cor sólida (principalmente os dourados e pretos), Rusty, que é parti-color de laranja e branco, é um exemplo clássico de distúrbio de comportamento da raça, que se torna agressiva por excesso de dominância.
Os problemas com o comportamento do Rusty, e com o comportamento da família, são tantos que eu nem sei por onde começar.

O cão não começou a ser agressivo hoje, na verdade ele sempre mordeu quando fosse contrariado e por que agora a solução se tornou urgente? Simplesmente porque agora TUDO contraria Rusty.

Se a mãe estiver na cozinha os filhos não podem entrar senão são atacados. Se ele estiver no quarto de Daise os filhos não podem sair, pois é preciso passar pela porta do quarto para sair do apartamento. Aliás, Rusty agora tem que dormir acorrentado na janela do quarto da dona, pois durante a noite também ninguém pode levantar para ir ao banheiro, ou para ir tomar água que será atacado. Quando o telefone toca os rapazes evitam atender ao telefone, pois se for para a mãe eles têm que submeter a uma infinidade de códigos para que a mãe atenda ao telefone sem que eles sejam atacados. Basta um dos rapazes grita: "Mãe, telefone".Para Rusty disparar em direção ao impertinente. Nem é preciso dizer que eles não podem chegar fisicamente próximos de sua mãe, nem mesmo para assistir televisão na sala. Uma certa vez o filho mais novo foi tirar o seu prato de comida que estava no forno. Como uma flecha Rusty apareceu e pulou no prato, derrubando tudo e comendo como um louco. Marcos achou que aquilo já era demais e tento tirar Rusty da cozinha...Marcos foi parar no hospital, com mais de 15 pontos nas pernas e sem jantar. Apesar de todos estes episódios (e aqui estou citando apenas alguns para não me estender muito) a família toda adora o cachorro e não cogita a possibilidade de doá-lo ou sacrificá-lo (já tive donos que optaram pela segunda opção em casos semelhantes). Quando Rusty está bem humorado ele é carinhoso, gosta de ficar no colo, pede carinhos, insiste em jogar bolinha e adora passear. Arrastando os donos, é claro, mas gosta.

De um modo em geral os membros da família não se importam de fazer todas as vontades do Rusty, só não gostam de ser mordidos, controlados, perseguidos, vigiados, e impedidos de se comunicarem uns com os outros.

A proposta:
Antes de qualquer coisa nós fizemos uma grande bateria de exames para nos certificarmos que qualquer possibilidade de problemas clínicos fosse afastada.

Meu trabalho aqui foi um grande desafio, pois ao mesmo tempo em que eu me sentia compelida a ajudar esta família tão amorosa e disposta a trabalhar duro para mudar o comportamento do Rusty, eles também sabiam que iriam "sabotar" várias etapas importantes.

Eles, por exemplo, se negaram terminantemente a castrar o Rusty. Castrar o Rusty era um dos pontos mais importantes do nosso planejamento, pois como já esta mais do que comprovado por estudos veterinários, o hormônio masculino é um dos grandes catalisadores da agressividade entre os cães (e machos em geral). Também tive dificuldades em convencê-los a mudar os hábitos alimentares do peludo. Pelo menos consegui que eles não adicionassem mais carne, frango, ou "latinha" na ração, mas o arroz e o molho de tomate ficaram. Também consegui que a comida não ficasse mais disponível o dia todo para Rusty. Agora Marcos, o mais agredido, deveria ser responsável por colocar a comida do Rusty, em horários pré-fixados, e apenas depois que o próprio Marcos já tivesse se alimentado. Um outro pedido que não foi atendido totalmente foi o uso de medicamentos alopáticos para que pudéssemos "quebrar" o padrão de comportamento agressivo e preventivo do Rusty. Consegui que eles tentassem uma homeopatia prescrita pelo veterinário, pelo menos enquanto iniciávamos o treinamento. Todos da família ajudaram em fixar metas semanais. Todos se esforçaram para manter uma rotina pesada de exercícios para o Rusty, bem como no treinamento de obediência.

Rusty passou a usar a coleira Gentle Leader 24 horas por dia, sempre com a guia de controle. Ele também passou a participar mais da rotina da família, só que de agora em diante sempre de forma controlada e sempre que ele demonstrava sinais de agressividade com qualquer um dos membros da família, TODOS, sem exceção ficavam cerca de 3 dias sem dar nenhum tipo de atenção a ele, garantindo apenas que as necessidades básicas do Rusty fosse atendidas.

Nos passeios o Rusty não era mais liberado para escolher a direção da caminhada e toda vez que ele puxava, quem estivesse conduzindo-o se virava para o lado contrário. Também estabelecemos que Rusty não poderia mais marcar território nas árvores. Ele só era autorizado a fazer xixi em determinados lugares, e sempre em direção ao chão. O acesso do Rusty a outros cachorros, coisa que ele adorava, também foi controlado e ele só podia ir brincar depois de atender um comando de controle, como deita e fica por 3 minutos ou mais, por exemplo.

Os brinquedos também foram retirados e só seriam dados novamente quando Rusty estivesse calmo e cooperativo.

Conclusão:
Considerando todas as dificuldades que este caso apresentava, posso considerar que a família teve um grande sucesso. Após vários meses de trabalho intenso, Rusty era outro cachorro. Ta bom, tá bom, ele não era OUTRO cachorro, mas tinha aprendido bem qual era a sua nova posição dentro da matilha. Todos da família já podiam conversar, trocar abraço e beijos entre si que Rusty não mais mordia. Rosnava baixinho, mas não mordia. Com as visitas também era preciso manter um certo cuidado, mas era só colocar a guia de controle (até hoje ele usa a Gentle Leader 24 horas por dia), que Rusty ficava mais quieto. Os passeios se tornaram muito mais agradáveis, Rusty perdeu o excesso de peso.

Ele ficou muito obediente e sempre atendia prontamente aos comandos de todos da família. Deitar ele sempre faz rosnando, mas faz e também não morde. Ele já não guarda mais a porta e o corredor como costumava fazer e também não rouba mais comida. Marcos se tornou seu grande amigo e (já se passaram 4 anos) nunca mais foi mordido. Rusty ainda não deixa limpar as orelhas voluntariamente, e precisa ser amordaçado para tomar vacina, mas deixa limpar os pés quando volta da rua.

Definitivamente todos da casa estão mais relaxados e felizes, mesmo Rusty ainda rosnando baixinho....


Max, rottweiler de 3 anos, inteiro e não treinado, estava "enlouquecendo".
 
O Cenário:

Max era um rottweiler de 3 anos, inteiro e não treinado quando sua dona, Ana, me ligou dizendo que ele estava "enlouquecendo". O cão, que sempre se mostrou dócil e obediente, e tratado com todo carinho, havia avançado em seu namorado, na semana seguinte na empregada e finalmente rosnara para a própria dona. Max fora comprado aos 4 meses de idade para ser o cão de guarda e companhia da casa, que tem área de 3.000m2.

O Caso:
Chegando ao local, fui recebida por um cão reservado com estranhos, como se espera de um cão de guarda, porém dócil ao ponto de aceitar carinho depois de alguns minutos e muito meigo e submisso com a dona.

Conversando com calma veio a tona o seguinte: quando Max foi comprado, aos 4 meses, a dona tinha um outro namorado, João, que adorava o cão, o levava para passear, nadar, etc e o deixava ter livre acesso a casa, inclusive dormir no quarto. Quando Max tinha mais ou menos 1 ano e meio, Ana e João brigaram e nunca mais Max e João se viram. Ana ficou mais de 1 ano sozinha e por isso deixou que Max passasse a dormir na cama com ela. Ha 5 meses ela começou a namorar Pedro, que não gosta de cães, e que pediu que "o cachorro" fosse colocado para fora quando ele estivesse lá. Durante 3 meses a rotina passou a ser essa, até que um dia, quando Pedro entrou em casa, Max avançou nele, colocando-o contra a parede, sem no entanto mordê-lo. Ana brigou com o cão, colocou-o para fora e passou a prendê-lo antes de Pedro chegar. Numa manhã, a empregada foi levar o café da manhã de Ana na cama, e Max tinha dormido lá com ela já que Pedro não estava. Quando a empregada se debruçou para passar a bandeja por cima do cão ele avançou nela, porém, mais uma vez não mordeu. Ana então deu uma bronca nele e foi pegá-lo para colocar para fora e então ele encarou-a e rosnou para ela. Ela insistiu e Max cedeu e se deixou levar. Foi então que ela me ligou.

Expliquei então a Ana, que o Max não estava ficando doido. Com a saída de João da casa e sua "ascenção" à cama, Max passou a ser o macho líder da casa (aliás, o único macho da casa) por mais de um ano, e justamente na idade em que os rottweilers amadurecem. Com a chegada de Pedro e a mudança em seu status, o que ele fez foi simplesmente tentar colocar Pedro "no seu devido lugar" já que o macho alfa da casa era ele e Pedro o estava desafiando quando fazia com que ele fosse posto para o quintal. Com a empregada o princípio foi o mesmo. Tendo perdido o posto quando Pedro chegava, mas mantendo-o na ausência dele, o que Max fez foi não aceitar da empregada o que na visão dele era um ato de dominância - passar o corpo (e uma bandeja) por cima dele na cama. Quando Ana interveio em favor da empregada, ele mostrou sua indignação, tentando não aceitar ser posto para fora mais uma vez. Como trata-se de um cão pouco dominante e de bom caráter (demonstrado no fato que ele não mordeu ninguém em todo o caso), quando a dona insistiu ele cedeu e se deixou levar.

A proposta:
Como solução foi dada a idéia de aulas de obediência, de preferência com a participação de Pedro e da empregada, que fortaleceriam ainda mais a hierarquia da casa e algumas mudanças no trato com Max (não mais dormir na cama, por exemplo) que deixassem seus direitos mais claros assim como o seu novo lugar na casa e sua nova rotina.

Conclusão:
Ana alegou que tinha perdido a confiança em Max e que Pedro não aceitaria trabalhar com ele, então, optaram por doar Max.


Toby, labrador de 4 anos, ficou agressivo com as visitas e depois com os donos.
 
O Cenário:

Tobi era um labrador de 4 anos, muito grande, inteiro e não treinado, que fora comprado por Marcelo e Carla para seus filhos, Junior e Marina, na época com 7 e 5 anos. Moravam numa casa com área total em torno de 1.000m2 e Tobi tinha acesso a toda a área externa, mas era proibido de entrar em casa. Nos primeiros 2 anos tudo funcionou bem, mas depois disso, aos poucos, Tobi foi ficando agressivo com as visitas, até o dia em que mordeu um amigo da família e a partir de então passou a ser preso quando alguém de fora chegava. Mas o quadro foi piorando pois Tobi começou a ameaçar os empregados e até mesmo as pessoas da família, principalmente Marcelo e Junior. Marcelo, temendo pela segurança de seus filhos, a essa altura com 11 e 9 anos, decidiu dar o cão, mas Carla estava disposta a dar uma chance a Tobi, se julgássemos que a situação tinha solução.

O Caso:
Entrei na casa acompanhada por Carla e Junior, e Tobi estava preso na parte de trás do quintal. Cheguei na grade para vê-lo e fui recebida com um olhar duro, latidos decididos e dentes de fora. Tentei algumas técnicas de aproximação e alguns testes, chegando a conclusão que se tratava de um caso de extrema dominância, aliado a total falta de educação. Tobi era muito seguro, territorial e acostumado a fazer o que queria quando estava preso. Fiquei sabendo que desde pequeno, quando Tobi fazia algo errado era preso na parte de trás do quintal ao invés de corrigido, e consequentemente educado. Da mesma forma, quando começou a avançar nas visitas, passou a simplesmente ser preso quando elas chegavam. Também não passeava mais na rua pois avançava em outros cães e puxava muito, o que tornava o passeio um tormento. As brincadeiras em casa também tinham diminuído muito pois quando ele pegava um brinquedo ou bolhinha se tornava agressivo, mesmo com Junior que sempre foi seu "melhor amigo".

A proposta:
Junto com toda a família estruturamos o seguinte esquema: primeiramente Tobi foi castrado. Em seguida, com a ajuda da coleira Gentle Leader, voltou a passear pelo menos uma vez por dia, e durante esses passeios foram introduzidos os comandos "junto", "senta" e "deita". Em casa, sua comida passou a ter hora marcada, e para ganhá-la ele passou a ter que obedecer a algum comando. As brincadeiras passaram a ser iniciadas e terminadas pelo membro da família que estivesse brincando com ele e quando visitas chegavam Tobi era colocado na guia e ficava por perto, de preferência deitado e ganhando biscoitos.

Conclusão:
O esquema foi colocado em ação e 1 mês depois Tobi já estava bem melhor com as pessoas da casa e empregados, mas ainda era agressivo com visitas. Tudo foi mantido, dando-se mais ênfase à obediência. Com o tempo as melhoras foram aumentando e sendo fixadas, até o ponto em que Tobi se tornou novamente confiável com os membros da família e empregados, e passou a aceitar as visitas, mas desde que na presença dos donos. Todos acham que Tobi é hoje um cão mais feliz, que sabe seus direitos e deveres.


Yorkshire de 4 meses, mordendo muito.
 
O Cenário:

Fui chamada para uma consultoria aqui no Rio de Janeiro para ajudar uma família com um Yorkshire de 4 1/2 meses, não castrado. A família morava num apartamento grande e consistia num casal de 30-40 anos, e seus dois filhos, um de 6 e o outro de 8 anos. A família queria muito um cachorro pequeno pois viajavam bastante e se mudavam com frequência. Viram o cachorrinho numa pet shop e não resistiram a tentação. O que eles queriam resolver era a mania do cachorrinho morder as pessoas, principalmente as crianças e seus amiguinhos, em várias situações. Toda vez que alguém tirava alguma coisa da boca dele, ele mordia. Se as crianças estavam fazendo carinho nele e de repente paravam, ele mordia. Se tocassem no pote de comida dele, ele mordia.

O Caso:
York e em todos ele tentou me morder. Não aceitava de jeito nenhum ficar de barriga pra cima, e de cara já deu pra perceber que era bastante dominante. Para todas as formas de correção como: falar grosso, encarar nos olhos, dedo na língua e fechar a boca dele com as mãos, ele rosnava, mostrava os dentes e tentava morder. Utilizei então o spray d´água, que geralmente funciona muitíssimo bem, ele não só rosnou como partiu para cima do spray para mordê-lo. Sugeri então a coleira Gentle Leader, e percebi infelizmente que ela também seria inútil, pois se ele não me deixava colocar a coleira, imagina se deixaria a mãe ou as crianças colocarem-na?

Muitas vezes, os cachorrinhos de porte pequeno como o York Shire, não gostam de crianças, pois elas falam fininho, vivem correndo pra lá e pra cá, fazem cavalinho no cachorro, etc, e geralmente eles acabam escolhendo um adulto como dono para respeitá-lo e admirá-lo. Infelizmente, constatei logo que nesse caso a situação era pior ainda. O York não respeitava a liderança nem das crianças, nem a de ninguém na casa e as chances dele morder gravemente uma das crianças era grande. A mãe não queria correr esse risco. Descartada a possibilidade dele ter tido algum trauma ou problema físico, a agressividade dele era mesmo genética.

A proposta:
Expliquei que seria muito difícil reverter esse temperamento , uma vez que ele só tinha 4 meses e ainda nem tinha entrado na fase da adolêscencia, quando a testosterona entra em ação, fomentando muito mais a marcação de território, a possessividade e a dominância. Infelizmente as chances dele piorar eram grandes e sugeri que talvez a melhor alternativa seria devolvê-lo para a pet shop pois para aquela família o temperamento dele não se encaixava bem.

Conclusão:
A mãe ficou bastante aliviada com a minha sinceridade e seguiu o meu conselho. É claro que as crianças ficaram tristes no início, mas no fundo elas também entenderam pois era nítido que elas mesmo já tinham desenvolvido um certo medo do cãozinho. Dois meses depois liguei para a dona para saber se já tinham comprado um outro cãozinho. Ela disse que tinha pensado melhor e iria esperar as crianças crescerem um pouco mais e a família se estabelecer num local fixo por mais tempo, antes de comprar um novo cachorrinho.

 


Shar-pei de 8 meses, que já passou por 3 famílias, bastante agressivo.
 
O Cenário:

Fui chamada para ajudar uma família a passear com seu Shar-Pei de 8 meses, não castrado. O histórico da vida do cachorro não era nada bom. Ele já tinha passado por 3 famílias, sendo que numa delas ele apanhou dos outros cachorros, era bastante agressivo com cães, rosnava para as visitas, e já tinha mordido 1 vez a dona quando ela o empurrou da cama e 1 vez o dono quando este estava brigando com o cão. A família morava num apartamento pequeno e consistia num casal de 40-50 anos e seus dois filhos de 20-25 anos.

O Caso:
Assim que cheguei na casa, pedi que prendessem o cão na coleira. Ele não se mostrou muito simpático com a minha chegada, fez uns barulhinhos, me cheirou e eu pedi para a dona mantê-lo na guia, mas não dar muita atenção a ele. Era nítido a necessidade de mostrar ao cão que quem mandava na casa era os donos e não ele. E que os donos iriam receber visitas sempre que eles quisessem. Foi explicado também a insegurança que ele tinha perante estranhos e em como ele se `apoiava` na dona para crescer e se mostrar mais forte.

A proposta:
Para resolver o problema de falta de liderança da família era preciso um conjunto de mudanças. Foi sugerido que ele comesse 2 vezes por dia uma ração menos calórica a base de carneiro; que fosse usado o spray d´água para corrigí-lo não só em casa mas também na rua; que ele ficasse com guia e coleira sempre que uma visita chegasse e que fossem ensinados os comandos de obediência básica, senta, deita, junto e fica através de aulas em grupo para melhor socializá-lo com outros cães e com pessoas estranhas também.

Conclusão:
Todas as dicas foram seguidas corretamente por todos da casa e bem aceitas pelo cão. Infelizmente os donos preferiram fazer aulas particulares e não em grupo. Expliquei que nesse caso a chance dele melhorar com outros cães era menor, principalmente pela pré-disposição do Shar-Pei em não gostar de outros cães. Mesmo assim, decidimos então fazer algumas aulas particulares no próprio quarteirão onde moravam. Três aulas particulares foram suficientes para que os donos entendessem bem os comandos de obediência, corrigissem corretamente o cão e o elogiassem na hora certa. Hoje em dia é possível passear com o cão e não voltar exausto e utilizar o comando `deixa o cachorro`, quando ele vê outro cão. Os donos estão bem contentes também por ele não ter mais mordido ninguém da casa!

 


Golden Retriever com 6 meses, brincalhão e bagunceiro. Seu dono quer aprender a melhor educá-lo.
 
O Cenário:

Freddy é um Golden Retriever de 6 meses, não castrado, brincalhão e bagunçeiro como qualquer filhote. Seu dono me chamou para aprender a melhor educar seu cão, já que morava sozinho num apartamento pequeno e não tinha muito tempo disponível para o cão pois trabalhava muito e chegava muito tarde em casa. O dono reclamava também que Freddy puxava muito na rua e não obedecia sem a coleira e a guia.

O Caso:
Logo de cara, percebi que Freddy era realmente um cão bem legal, e depois de alguns testes e perguntas, concluí que ele não tinha nenhum desvio de comportamento. Era inclusive bem submisso, e até fazia xixi na porta quando o dono chegava. Porém como todo filhote, ele roía as paredes, o sofá, sapatos, papéis, dava aqueles ataques de energia e corria sem parar pelo corredor e não sabia fazer coco/xixi no local correto. O dono não aguentava mais essas manias do filhotão.

A proposta:
Expliquei logo ao dono que seria muito difícil ensiná-lo a fazer todas as coisas corretas sem a ajuda de uma pessoa que ficasse de olho no Freddy, repreendesse-o na hora correta e o recompensasse imediatamente seus acertos. Esses probleminhas de filhote tinham que ser corrigidos por alguém da família e como o dono estava sempre trabalhando a situação complicava. O dono aceitou a sugestão de ensinarmos a empregada a cuidar corretamente do cão. Explicamos a ela então tudo o que o Freddy podia fazer e o que ele não podia, ensinamos o treinamento do coco/xixi no jornal, sugerimos o repelente para cães, a coleira Gentle Leader e principalmente explicamos a necessidade de não mais fazer festinha na porta da casa, para ele não fazer xixi na entrada. Explicamos também que era um risco o Freddy andar sem coleira, uma vez que ele não obedecia nem de coleira! Para resolver o problema de puxar, agendamos aulas particulares de obediência básica 2 vezes por semana. No início ia sozinha com o Freddy, que aprendeu muito bem todos os comandos como junto, alto, senta, deita, fica, atravessa e deixa o cachorro. Após mais ou menos 1 mês, a empregada passou a me acompanhar para aprender a maneira correta de se passear com o Freddy.

Conclusão:
Apesar do dono não ter podido participar do treinamento de seu cão, ele disponibilizou uma segunda pessoa para cuidar do cão. Como ele permitiu que a empregada participasse de todo o aprendizado, hoje Freddy é um cão adorável. Ainda obedece aos comandos e é possível passear com ele com tranquilidade. Esse caso mostra que é impossível um cão aprender tudo sozinho, quando o dono sai de casa de manhã para trabalhar e só volta a noite. Mas a situação pode ser invertida quando o dono percebe a necessidade de dedicar mais atenção ao treinamento do cão, mesmo que não seja a sua atenção propriamente dita. Neste caso a ajuda da empregada foi não só fundamental mas essencial.



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