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O segundo cachorro da casa

Por Mara Kanczuc


Esta edição do Lord Cão News é para todos nós cachorrólatras incorrigíveis que não ficamos satisfeitos com um cachorro só dentro de casa. E para todos os outros apaixonados por cães, que ainda não fizeram essa loucura, mas que um dia farão! E podem ter certeza de que não se arrependerão!

A história que vou contar pra vocês começou há 5 anos atrás quando uma eterna apaixonada pelos cães resolveu comprar um cachorrinho. O bichinho foi comprado numa feirinha, era um Poodle lindinho de 2 meses que se chamava Cotonete. O Cotonete chegou muito doente e em menos de duas semanas faleceu.

Como garantia a criadora (e que criadora... hunf!) deu para nossa personagem (vamos chamá-la de Mara, ficticiamente ;o) ) um outro cachorrinho, Poodle, com pedigree e tudo, que recebeu o nome de Falafel. Mais tarde se descobriu que o tal Falafel não é poodle nem aqui nem na China, mas é uma gracinha e nunca ninguém brigou por isso... (Falei sobre isso no ultimo Lord Cão News que escrevi, a escolha e a compra do filhote são muito importantes para o sucesso do peludo na família! Muito cuidado com cachorrinhos vendidos em feiras...)

Bom, o Falafel chegou em casa, era uma peste, mas foi muito amado e com algumas dicas e muita dedicação acabou tornando-se um cachorrinho exemplar! Deixou de ser um problema para ser o cachorrinho que todo mundo gostaria de ter, mas isso é assunto para uma próxima edição...

Quando estava tudo perfeito, a família já estava redondinha, o Falafel podia estar sempre junto, indo a restaurantes, a todas as viagens sem incomodar ninguém, apareceu mais uma personagem nessa nossa história. Por que decidiram ter mais um cachorro é uma resposta que nossos personagens nunca poderão dar, mas o fato é que a Shein chegou, uma linda Rhodesian Ridgeback, de dois meses de idade, vinda diretamente de Boston, para acabar com a paz de todos, principalmente do Falafel, o Lord...

O Falafel que foi o único a não ser consultado sobre a chegada da Shein é o primeiro que vai falar...

FALAFEL: “Estávamos todos felizes por aqui, tá certo que sempre detestei ficar sozinho quando todo mundo saia de casa, mas fora isso, viver nessa casa sempre foi um grande prazer! Ia com todos a todos os lugares, vivia em restaurantes e sempre fui muito elogiado pelo meu comportamento. Fazia de tudo para ver meus donos felizes e para estar sempre junto deles... Eu ate gostava de outros cachorros, mas um dia, um cachorro enorme, todo amarelo e com cara de mau, me deu uma focinhada nas ‘partes’ (vocês entendem, não é?) e doeu pra burro. Desse dia em diante brincadeiras com cachorros... só com os pequenininhos e de preferencia de outra cor... Aí, um dia, meus donos saíram e passaram o dia inteiro fora, quando voltaram trouxeram uma cachorrinha, marronzinha pequenininha, até simpática, mas era muito boboca, ficava olhando pra mim, pulava em cima de mim, só queria brincar o tempo todo... Fui logo dando umas boas rosnadas e mostrando meus dentes enormes... o problema é que ela foi ficando, ficando... e está até hoje aqui em casa!

Ela não se mete a besta comigo, mas vive me amolando! Não sabe as regras da casa, quer brincar na hora errada e sempre me machuca com suas mordidas me chamando pra brincadeira. Eu que não sou bobo nem nada, já vou rosnando e mostrando meus dentões antes dela chegar. Às vezes a gente briga um pouco, mas ela é tão boboca que fica levantando a bunda e abanando o rabo, enquanto eu rosno, monstros meus dentões e até mordo um pouquinho, sem machucar, porque no fundo gosto dela... Mamãe sempre diz que é coisa de irmãos! Tenho me sentido exausto! Antes passava o dia todo quietinho, observando tudo, cuidando da casa, agora, ela me amola tanto, que quando paro um pouco dou sempre uma dormidinha...

Claro que ter ela aqui em casa tem algumas vantagens. Nunca mais fico sozinho, meus passeios aumentaram, agora sempre ganho dois ossos no lugar de um. Meus pais dão um pra mim e um pra ela, mas assim que acabo o meu pego o dela, então sempre fico com dois! Às vezes, mesmo sem acabar o meu, pego o dela, só pra garantir. Ela, é claro, me dá sem discutir... eu sou o líder e isso não tem a menor discussão! Hoje mesmo ganhamos um ossinho de couro cada um. Eu nem gosto muito dessas coisas, mas só pra deixar claro pra ela quem é que manda por aqui, fui logo pegando os dois pra mim...”

Pois é, o Falafel é o que se pode chamar de um cão muito dominante e a Shein, não teve nenhuma opção nessa história, foi colocada como submissa assim que colocou os pés na casa! Sorte que ela apesar de ser bem maior que ele, aceita muito bem as ordens vindas do nosso mandão! Seus donos estão estimulando a dominância do Falafel, justamente para evitar problemas futuros. Como ele é mandão por natureza, essa função não tem sido muito difícil. Alguns cuidados são tomados, como por exemplo: na hora da comida, o Falafel sempre come primeiro. Ele também ganha sempre seus biscoitos e brinquedos em primeiro lugar e é o primeiro a receber festinha quando seus donos chegam em casa. Ele pode dormir na cama junto com os donos, enquanto a Shein dorme na sua caminha no mesmo quarto, ao lado da cama. Nos passeios, o Falafel vai sempre na frente e é sempre ele o primeiro a passar pelas portas ou a entrar no carro. Além disso e mais importante, raramente alguém interfere nas briguinhas entre eles, só quando a coisa fica mais séria e nunca, nunca mesmo, seus donos pegam a Shein para consolar, nunca tiram coisas da boca do Falafel para dar a ela e nunca protegem a pobre menina que só apanha!

Agora com a palavra a “pequena” Shein:

SHEIN: “Vim de uma casa onde morava com outros vinte e tantos cães, por isso não tive muito problema para me adaptar ao Falafel. Gosto muito dele, mais do que tudo na vida! Se me importo quando ele pega as minhas coisas? Ah, quero um ossinho também, mas isso só faz eu gostar e respeitar meu irmão cada vez mais! Por exemplo, hoje, ganhei um ossinho delicioso da minha mãe (eu também gosto um pouco dos meus pais!) e ele sem mais nem menos pegou o osso pra ele. Sabem do pior? Nem comeu, só ficou deitado abraçado com o osso. Eu fico triste, lato, peço por favor pra ele dar pra mim, eu preciso desses ossinhos pra morder, meus dentes estão crescendo e dói pacas... mas ele não aceita meus argumentos, pega tudo pra ele, mas líder é assim mesmo, eu sempre soube... E quando eu quero subir na cama ou mesmo entrar no quarto e ele não deixa? Ah... fico triste, lato, lato pra ver se ele deixa, mas depois vou na nossa caixinha de brinquedo, pego um ossinho e fico roendo, até passar!

Mesmo assim, gosto tanto do meu irmão que estou preocupada... o Falafel está encolhendo! Aliás, não é só o Falafel... as coisas aqui em casa estão todas encolhendo! As mesas, as cadeiras, até a cama da mamãe e do papai! Antes eu passava debaixo da mesinha da sala e não acontecia nada, agora vocês precisam ver! É um tal de mesa cair no chão, uma barulheira danada que sempre vem seguida da mamãe ou do papai com cara de desesperados e o mesmo comentário: ‘Ah não, Shein!’ é bem engraçado!

No mais a vida por aqui é muito boa, eu e o Falafel ficamos sempre juntos e eu não ligo muito pras broncas que ele me dá o tempo todo, eu sei que no fundo ele gosta de mim tanto quanto eu dele. Sempre que saímos de casa e vamos à pracinha, brincamos muito e ele quase não me morde...”

Como vocês podem perceber, a Shein, que para nós humanos parece uma grande vítima sofredora, não se incomoda muito de ser a cachorra submissa. Pelo contrário, parece muito sossegada com esta situação. É claro que não deve ser agradável perder seus ossinhos preferidos, mas ela sempre dá um jeitinho de pegar um outro e brincar no seu canto. Ela recebe muito carinho dos donos, e aceita muito bem ser a segunda a receber os agrados e os biscoitos.

Ela tem a grande vantagem de raramente ficar sozinha. Sua grande referência é o Falafel, por isso, quando os donos saem, ela continua numa ótima! Seus donos são os que mais sofrem nessa história, mas antes de falar sobre eles, vamos ver seus depoimentos:

Natan, 27 anos, o pai: “Sempre gostei e sempre tive cachorros, desde criança, mas nunca dois de uma vez só. Estou gostando da experiência, apesar da bagunça que virou minha casa! Confesso que é um pouco difícil aceitar essa injustiça com a Shein, mas estou seguindo exatamente as instruções que tenho recebido e parece que está mesmo dando certo! Os dois mais brigam do que brincam, mas a gente percebe que o Falafel aceita e gosta cada vez mais da Shein e a Shein então, nem se fala! Gosta muito mais do Falafel do que da gente! Mas tem muitas outras coisas... estamos muito mais cansados, temos que dar atenção em dobro aos cães, e naqueles momentos de sossego, quando tudo que queremos é ficar jogados em frente à TV, sempre um dos dois resolve que não quer ficar quietinho e começa a bagunça... Outro detalhe muito importante é que nossos gastos com os cães aumentaram muito. Na hora da vacina, do vermífugo, do anti-pulgas, dos biscoitos, dos brinquedos e da ração o gasto é pelo menos o dobro."

Mara, 28 anos, a mãe: “Pra mim, essa história de ter dois cachorros também é novidade. Estudei nos livros e conheci muitos casos parecidos, mas quando a coisa acontece na casa da gente, é tudo diferente. Pra eu ter uma filhota em casa e toda relação dela com o Falafel está sendo melhor do que qualquer curso! É uma relação toda especial, o Falafel é naturalmente um grande mandão, e a Shein, apesar de ser uma flor de cachorra, é de uma raça também bastante dominante e hoje, aos 4 meses, já é o dobro do tamanho dele. A decisão de manter o Falafel como dominante foi para evitar maiores problemas quando a Shein ficasse muito maior que ele. Vocês conseguem imaginar uma monstra de 35 kg dando uma bronquinha num poodlezinho de 8 kg? Nos passaríamos a viver num ambiente de tensão e o Falafel estaria em permanente risco de vida!

Não é fácil agüentar a cara de coitada dela quando quer entrar no quarto e ele não deixa, mas eu tento me segurar! Pior é quando ela está toda feliz com seu ossinho e chega o pequeno monstro, late, mostra os dentes e tira o que ela tiver na boca. A pobre fica com a maior cara de boba, latindo, implorando e ele impassível com todos os ossinhos na frente com cara de mandão! Mas de uma maneira geral, as coisas estão saindo conforme esperado e por enquanto estamos tendo sucesso nessa relação tão delicada!” O fim desta historia ninguém sabe, mas existem boatos que eles ainda pensam em ficar com uma filhotinha da primeira cria da Shein..."

E você? Quando vai comprar ou adotar seu segundo cachorro?


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