Já tenho um cão, e agora?

Bom, a decisão foi tomada e agora temos um cãozinho (ou caozão!) em casa. Quais são as preocupações e atitudes iniciais que se deve ter?

Primeiro cuide da saúde física do seu cachorro:
» O cachorro deve viver num local limpo.
O lugar em que o cachorro dorme e/ou fica deve ser limpo todos os dias, e mais de uma vez se for necessário. Isso é importante para a saúde dele e para seu comportamento. Um cachorro criado na sujeira nunca será limpinho, vai achar normal pisar e deitar no xixi e no cocô. Sua comida, água e caminha devem ficar distantes do “banheiro”. Na hora de limpar, lembre-se que produtos de limpeza podem causar alergias no seu cachorro. Consulte o seu veterinário se você observar irritações na pele dele. O produto para limpeza mais recomendado para evitar este problema é o Lysoform Bruto (utilizado na diluição indicada).
» Mantenha seu cachorro livre de carrapatos e pulgas. Existem produtos a venda em pet shops que são bastante eficientes em manter seu animal livre destes parasitas. Além de serem anti-higiênicos, os carrapatos são transmissores de doenças. Se o seu filhote ficar meio caidinho e/ou perder o apetite, leve-o ao veterinário para um exame de sangue, mesmo que nunca tenha visto um carrapato nele!

» Mantenha seu cachorro com as vacinas em dia. Os veterinários fornecem uma caderneta que mostra as datas de revacinação. Vacine seu filhote somente com um veterinário, só ele pode garantir a origem e conservação adequada das vacinas. Seu veterinário também lhe orientará sobre as datas de dar remédios contra vermes para seu animal.
» Em locais onde há muito mosquito é recomendado se dar ao cachorro um remédio que evita as doenças que eles transmitem. Consulte seu veterinário.

» Dê banho em seu cachorro no máximo 1 vez por semana. O ideal é quinzenalmente, ou apenas quando for necessário. O cachorro precisa manter uma certa oleosidade na pele para que esta fique saudável. Banhos muito freqüentes podem levar a problemas na pele e no pêlo. Use apenas shampoos para cães vendidos em pet shops. Hoje em dia existem vários tipos, de acordo com a pelagem de cada um.
» Escove seu cachorro diariamente se ele tiver pelo longo. Use uma escova de pinos adequada para cães.

» Veja sempre se há algum ferimento no seu cachorro. Trate todos os ferimentos imediatamente para evitar bicheiras.

» Evite deixar qualquer objeto que pode ser engolido ao alcance do seu cachorro. Deixe sempre brinquedos e objetos adequados para o seu cachorro roer e passar o tempo. Um cachorro entediado irá procurar alguma coisa para brincar. É comum ver cães engolirem chupetas, tampas de garrafas, rolhas, e pequenos brinquedos. Também proteja os fios da casa.
Agora a saúde mental:

» Passeie com ele pelo menos duas vezes ao dia. Passeios não servem somente para gastar energia, também fortalecem os laços entre cães e donos, reforçam a hierarquia e distraem a mente dele. Ele precisa ver gente, carros, outros cães, movimento, etc. cachorro que nunca passeia acaba ficando neurótico!

» Aproveite o seu tempo livre e finais de semana para brincar, correr e exercitar bastante o seu animal. Existem vários parques públicos que aceitam a presença de animais.
» Mantenha o cachorro sempre perto da sua família. A interação com humanos é a melhor coisa que podemos fazer pelos nossos peludos. Para aprender e ficar educado, o cachorro precisa estar convivendo com a família. Só assim ele aprende o que é certo e o que é errado. Quando ele fica preso ou isolado, não aprende nada, e além disso, fica ansioso e estressado.
» Mantenha o treinamento do seu cachorro em dia. Um cão treinado entende o que o dono quer dele e sabe se comunicar. Ele é mais calmo e obediente e se torna o companheiro que todos sonhamos!

O que um cachorro precisa para ser feliz?

Por Sheila Niski

Casa, comida e roupa lavada ? Definitivamente não. Isso só funciona na televisão e nos filmes. Ah, e para humanos, não animais. Se não fosse exagero, até diria que para eles é o contrário. Bem, nem tanto ao céu, nem à terra. O que eu quis dizer é que já vi muito “cachorro de madame” com uma casa maravilhosa, ração de qualidade, espaço e tudo o mais que, teoricamente, o cão precisaria para se contentar, e este cão parecer muito insatisfeito, é considerado apenas mais um enfeite de luxo na casa. Ao passo que dificilmente vemos um cachorro de um catador de papéis, ou mesmo morador de rua, triste. Eles andam sempre com seus donos, perambulando e com a cauda alta e feliz.

Ao perceber isso meu pensamento se transformou numa sucessão de perguntas, mas considerei a mais importante “o que NÓS precisamos para ser feliz?” Cada um de nós é um ser diferente, com necessidades diferentes. Algo que me deixa muito feliz pode ser totalmente indiferente para outra pessoa. Com os cães é quase a mesma coisa, mas sem dúvida, a única coisa que é igual em termos de felicidade para um cão é ter companhia. Ou seja, alguns gostam mais de petiscos, outros de brinquedos, outros de palmas, mas o que todos gostam com certeza é companhia. Claro que isso só não basta.

Resolvi colocar palavras importantes para o cão, para tentarmos colocar essas palavras na prática e não apenas na teoria. São necessidades, na sua maioria DIÁRIAS, do seu peludo.

CHEIROS – O cachorro se utiliza deste artifício para conhecer tudo que o envolve e ao ambiente. Enquanto o ser humano tem cerca de 5 milhões de células olfativas, o cachorro possui 220 milhões de “receptores de cheiro” (“The Dog’s Mind” de Bruce Fogle – pág. 35). Através do cheiro que o cachorro deixa pelo caminho no xixi, o próximo peludo que por lá passar vai saber todas as características do anterior, como idade, sexo, tamanho. Digamos que o cheiro é algo como o RG do animal. Por isso, donos e donas conscientes, não se envergonhem quando seus cachorros se encontrarem pela rua e um começar a cheirar o bumbum do outro. Nada de puxar a guia dando bronca, eles estão apenas se conhecendo, pois nesse lugar existe uma glândula que os apresenta pelo cheiro. Esta cheirada deles seria considerada o nosso aperto de mãos.

CAMINHADAS – Também conhecidas por passeios, é essencial para a socialização, saúde e tudo mais de positivo que seu cachorro possa precisar. De preferência técnica utilizada com alguns acessórios como coleira, guia e saquinho de catar cocô. Os passeios diários com seu animal podem se transformar numa incrível fonte de prazer, pois através desses passeios você conhece melhor seus vizinhos, acaba conhecendo gente interessante na rua, faz amizades mais facilmente, talvez até arranje um namorado novo – que gosta de cachorro – e assim por diante. Eu costumo dizer que o melhor disso tudo é que a preguiça ficou mais de lado. Agora eu faço o que tiver que fazer num raio de aproximadamente 3 quilômetros com meu cachorro a pé. Antes ia até a esquina de carro. Minha saúde (e barriga) agradecem. Outro fator muito importante é que com passeios freqüentes, o cachorro não cria aquela neurose de latir pra qualquer coisa, não fica com medo de barulhos diferentes, se acostuma a todos os tipos de estímulos externos sem traumas.

COMIDA – Bem, o seu peludo vai comer a ração que você fornecer e mais tudo que ele conseguir roubar, como as tiras do chinelo, o plástico que envolvia aquela carne, meias recentemente utilizadas, etc. Ok, é brincadeira, mas se transforma num assunto sério quando em exagero. Já vi um Bull Terrier (né, Nicolau?) que teve que fazer uma cirurgia e o veterinário tirou coisas inacreditáveis do estômago dele. Imagino que qualquer outra raça teria morrido nessas circunstâncias. Mas é vital uma ração de boa qualidade, assim como a quantidade certa descrita na embalagem. Às vezes nos assustamos com o preço de rações super premium, mas se compararmos custo / benefício veremos que vale a pena. Em primeiro lugar a quantidade utilizada é bem menor. Em segundo, você vai perceber a diferença na pelagem, na saúde e principalmente e mais perceptível, nas fezes, menores e com intervalos de tempo maiores. Isso ocorre porque o cachorro absorve melhor os nutrientes dessa linha de ração.

Não coloque alimento de gente misturado na ração, a não ser que o veterinário mande. Existem alimentos para o nosso consumo que os animais não conseguem digerir direito, causando aquelas fezes moles e problemas estomacais. Por exemplo, o chocolate tem uma substância altamente tóxica para cães. Tudo bem, conheço cachorro que come chocolate todo dia, por mais que eu peça para pararem de dar, e o cachorro continua por aqui. Um dia ele morre, do nada, simplesmente morre. Efeito final da tal toxina. Cebola também deve ser evitada.

DESCANSO – Um filhote precisa dormir em média 17 horas por dia. Após as brincadeiras o descanso é fundamental para o cão. Após longas caminhadas também. Devemos respeitar a hora do ronco dos cães, para nossa própria segurança. Os cães, diferente do que muita gente pensa, sonham. Normalmente esses sonhos são com caça e caçadores, presas, brincadeiras e coisas do dia-a-dia do animal. Já vi acontecer do cachorro dormir, provavelmente sonhar que estava sendo perseguido ou estava perseguindo algo, e o dono desavisado resolver incomodar o animal naquela hora. O dono tomou uma mordida que deu pena, mas não foi por maldade do cão, era como se o sonho estivesse acontecendo. Quantas vezes já vimos crianças fazerem xixi na cama por sonharem que estavam fazendo xixi. E comigo já aconteceu de um dia, quando pequena, meu pai me acordar atrasada para escola, batendo forte na porta. Na hora comecei a sonhar com guerra e as batidas se misturaram com metralhadoras. . . Perdi a hora, claro. Bem, o descanso do Totó faz parte de seu bem-estar e da sua saúde. Vamos deixá-los dormir o sono dos justos.

SUSTOS LEGAIS – Geralmente o peludo adora espantar pássaros ou qualquer outro ser miniaturizado que se manifeste de maneira esquisita quando chega correndo perto dele.

RECOMPENSA – Sempre que o seu cão fizer algo legal, recompense-o no momento exato. O cão não sabe o que é certo ou errado, mas sabe que se for recompensado é porque é a coisa certa a ser feita. Tudo que ele quer é agradar ao dono, apenas mostre a ele como fazer isso. Como? Carinho, petisco e demonstrações de afeto em geral. Eles adoram receber presentes desse tipo. BUSCAR COISAS – Tudo que meu dono jogar, inclusive a roupa suja no cesto e as meias novas. É sério, depois que um cachorro aprende a buscar as coisas vocês terão diversão garantida por horas a fio. Bolinhas e brinquedos menores são geralmente os preferidos.

SER – Ser cuidado, ser tratado, ser alimentado, ser acompanhado, ser o cachorro dos seus sonhos, ser o centro das atenções. O animal adora ser e estar, participando de tudo que rola ao seu redor, fazendo parte da matilha (sim, humanos, somos a matilha). Essa é com certeza uma maneira de deixar o cão feliz, deixá-lo nos acompanhar nos eventos do dia-a-dia como levar as crianças pra escola, ir buscar, comprar o pão de manhã, levar nas atividades da família à tarde, etc.

ESTAR – Estando na companhia das pessoas que ele confia. . . Ele está feliz.

O que o faz muito mais feliz ? Ser tratado como cachorro, ou seja, um animal muito sociável, que faz parte de uma matilha – sua família – e precisa de uma hierarquia para entender as regras básicas de sobrevivência na sua casa. Quando ele define quem é o líder – faça o possível e o impossível para ser você, mas com justiça, não violência – a vida em família/matilha, fica super tranqüila.

Para entender o cachorro temos que tentar pensar como ele. Ele gosta de coisas diferentes de você, assim, respeite suas necessidades de cachorro, sua forma de pensar, de agir, de se alimentar. Quando você começa a entender o que seu cachorro espera de você, tudo fica mais fácil e gostoso.

O treinamento básico é fundamental para estimular e melhorar o relacionamento entre os donos e seus cães. Claro que sempre com a participação efetiva do dono. O treinamento com carinho, recompensa e participação do dono não tem como dar errado, e o cachorro fica super feliz de poder demonstrar pro dono que o entende e obedece. Acima de tudo ele o respeita por amor, não por medo. Depois de um treinamento básico vocês se entendem muito melhor, e o relacionamento fica cada dia mais gostoso. Vocês abrem uma linha de comunicação mútua, aumentando sempre a confiança de um no outro. Quando existir essa comunicação, tudo fica mais fácil.

Seja um dono justo pro seu cão. Quando você briga com ele por um motivo real, ele entende e não fica chateado com o dono. Ele descobre que errou e, se for repreendido da maneira correta, no momento certo, vai tentar acertar na próxima. Da mesma maneira, não esqueça de elogiar bastante sempre que possível. Isso fará de você o dono que ele espera, aceita, respeita e ama como líder.

Passeios, brincadeiras e exercícios devem fazer parte da rotina do animal. A rotina é outra coisa que para nós pode incomodar, mas para o seu cão significa a segurança que ele precisa. Uma rotina definida faz um cachorro feliz, e mudar a rotina é muitas vezes motivo de stress.

AMOR – Essa talvez seja a palavra-chave, a mais importante na vida de um cão. Ele nos dá o amor na sua forma mais pura. Se você for um dono responsável, carinhoso, justo e que transmite confiança ao seu animal, terá como retorno a forma mais linda e incondicional de amor, o amor de um cão, onde basta amar para ser amado.

Nós da LordCão costumamos dizer que cachorro cansado é cachorro feliz. Curta ao máximo a companhia maravilhosa de um cão saudável e feliz. Assim você será feliz junto com ele.

Todos os direitos reservados. Este artigo está registrado na Biblioteca Nacional e tem seus direitos autorais protegidos por lei. É permitida a sua reprodução desde que sejam colocados o nome da autora e a homepage origem.

Dicas para escolher um filhote

Por Mara Kanczuk

Talvez este Lord Cão News não seja exatamente para você que já está com o seu cachorro, mas como nós cachorrolatras somos incorrigíveis, quem tem um peludo na vida, vai sempre querer outro e outro… Se você pensa em um dia ter outro cachorro ou conhece alguém que está entrando ou pensa em entrar nesta aventura, as informações a seguir certamente serão de grande utilidade e farão toda a diferença entre o sucesso e o fracasso do novo membro da família.

As pessoas são muito diferentes umas das outras, assim também são os cachorros. Existem quase 400 raças diferentes, com características comportamentais opostas, mas, mesmo entre uma mesma raça, encontramos cachorros com personalidades bem distintas. No dia a dia, vemos alguns absurdos em nosso trabalho com donos e cães, que uma simples conversa poderia ter evitado.

Uma escolha correta da raça é sem duvida muito importante. O primeiro passo, quando você já decidiu de qual raça será seu novo amigo, é conhecer alguns canis, conversar com os donos e visitar as instalações para verificar as condições da criação. É também muito importante conhecer o pai e a mãe da ninhada. Comportamento tem um forte componente genético, e conhecer os pais é uma ótima forma de prever o comportamento dos filhotes. Procure brincar com os pais, perguntar para o criador sobre seu comportamento no dia a dia, se são agressivos, tímidos, calmos.

É interessante observar também o comportamento do criador: se ele fala que a raça é perfeita; que seus filhotes são muito inteligentes; não fazem bagunça; adoram crianças; aprendem a fazer xixi no lugar rapidinho e etc., desconfie! Um bom criador não tentará engana-lo na hora de vender um filhote. Inclusive, alguns vão até mesmo desencoraja-lo para se certificar que você além de decidido, será um bom “pai” para os seus bebês. O criador que te empurra um filhote, raramente faz um trabalho sério e pode estar empurrando um tremendo abacaxi!

Há pouco tempo, visitei um canil nos EUA. Antes de me falar as vantagens daquela raça, a criadora me contou todas as desvantagens e me fez várias perguntas. Mais parecia que ela estava escolhendo um dono para sua ninhada do que eu que estava lá para escolher um filhote.

Se você já chegou nesse ponto, parabéns! A maioria das pessoas não tem tanta preocupação ao comprar um cachorrinho e a gente sabe muito bem as conseqüências da compra por impulso. Vamos então ao que interessa: Você já escolheu a raça, o criador, agora vamos escolher seu novo peludo! Existem varias formas de analisar o comportamento de um filhote. A primeira delas é observar a diferença no comportamento entre os vários membros da ninhada. Caso seja sua primeira vez e você tenha alguma dificuldade, peça ajuda para o criador que certamente tem mais experiência no assunto. Quando observamos uma ninhada, o importante é tentar perceber o papel de cada um dos filhotes nesta “matilha” e com isso identificar algumas características importantes.

Quantas vezes a gente escuta: – Cheguei na casa do criador e nem tive que escolher um filhote, o Totó que me escolheu! Foi amor a primeira vista! Ele me viu e veio correndo em minha direção todo se abanando… Ou: -Fiquei com tanta peninha, era o menorzinho, ficava todo encolhidinho no canto, os outros filhotes nem deixavam ele comer… acabei ficando com ele… Ou ainda: – Ah, era o mais esperto da ninhada, andava na frente de todos, comia primeiro, não tinha medo, era o mais forte, é claro que me apaixonei!

Pois é, todo mundo tem uma primeira impressão dos filhotinhos, mas a grande maioria não sabe o que esses sinais vão representar no futuro. O filhote que vem correndo em direção a qualquer pessoa que se aproxima, certamente vai ser um cachorrinho mais sociável, que gosta de gente, não muito medroso.

Aquele que fica no cantinho, deve ser o mais submisso da ninhada, ou muito tímido. Um cachorro que pode ser excelente se for bem estimulado, mas pode se transformar em um cachorro agressivo por ser muito medroso. O último caso também é preocupante. Um cachorrinho muito esperto, que certamente tem um grande espirito de liderança, pode se transformar numa encrenca se o dono não tiver pulso firme e muita vontade de trabalhar esse peludo. Esses cachorrinhos costumam disputar liderança com o dono e com toda família as vezes por toda vida e podem ser especialmente complicados se na casa tiverem crianças. Na maioria das vezes, o ideal é ficar com algum dos cachorros intermediários, nem o mais submisso, nem o mais dominante…

Outro dia liguei para dona de um aluno que estava dando muito trabalho, o bichinho era espertíssimo, lindo e bem engraçado, mas estava com um comportamento tão dominante que estava deixando sua dona louca. Ele a atacava cada vez que ela tentava sair de casa, mordia as visitas e começou a morder a dona gratuitamente, só pra mostrar quem é que mandava!

Depois de conversarmos um tempão, ela me confessou que escolheu o bichinho mais esperto da ninhada e que a criadora já a avia alertado que esse cachorrinho era diferente, não tinha medo de nada, mandava em todos os outros filhote e ate respondia as broncas da mãe. Apesar de tentar trabalhar com a dona pra recuperar o bichinho, ela acabou dando seu cachorro, que agora mora fora de São Paulo. Pena, era um cachorro especial, mas precisa de um tratamento especial, caso contrario se transformaria em um monstro.

Para ajudar a fazer a escolha certa, existem alguns testes de temperamento de filhotes. Apesar de controversos (muita gente acha que não funcionam) podem ser excelentes aliados no momento de decisão. Estes testes surgiram para auxiliar na seleção de cães de trabalho e mais tarde foram utilizados, com excelentes resultados, para seleção de cães guias de cegos.

O teste de Volhard é o mais usado e foi desenvolvido para identificar cães com bom potencial de obediência, mas pode ser usado para avaliar o temperamento geral de um filhote. Este teste não é muito simples e deve ser usado com cautela, muitos especialista não recomendam a sua execução por leigos. A interpretação pode ser toda distorcida se não for aplicado da forma correta. Por isso mesmo não vou transcrever o teste aqui. Vou apenas explicar alguns exercícios e o que eles significam. O ideal é que os testes sejam aplicados quando o filhotinho tem entre 7 e 8 semanas de vida, que coincide com a época que você deve traze-lo para sua casa.

Começamos colocando o bichinho no chão, em um lugar desconhecido, nos afastamos um pouco, agachamos e chamamos o pequeno com palmas e falando em um tom de voz suave a alegre. Devemos então observar como o filhotinho vem ate nós:

se ele vier prontamente, com o rabo levantado, pular e ate tentar morder a nossa mão, temos um cachorro bastante dominante.
se ele vier somente com o rabo levantado e subir no colo, é um cachorro menos dominante.
se vier com o rabo baixo, é mais submisso.
iv) se não vier, provavelmente será um cão medroso ou com pouco interesse em seres humanos.
Depois levantamos e começamos a andar:

o filhotinho dominante, irá nos seguir prontamente, com rabo levantado e mordendo o nosso calcanhar.
se não for tão dominante, só irá seguir-nos com o rabinho levantado.
se for mais submisso ficará com o rabinho baixo.
se o cachorro não seguir, será um cachorro mais independente.

Em seguida, pegando o filhotinho com todo cuidado do mundo (lembre-se ele é só um bebê e a última coisa que queremos é que ele fique assustado) colocamos deitado no chão de barriga pra cima. Colocamos então nossa mão aberta sobre o peito dele e observamos sua reação:

filhotes mais dominantes vão espernear mais, alguns vão ate rosnar e tentar morder nossa mão.
os muito tímidos, vão ficar imóveis, com o rabinho entre as pernas e ate fazer esforço para evitar olhar nos nossos olhos.
um filhotinho intermediário, vai espernear e ate ganir um pouco, parar, espernear mais um pouco, e assim ate se acalmar. Não se esqueça, é muito importante fazer isso com o máximo de gentileza possível..

Por último, pegamos o filhotinho com as duas mãos e colocamos seu rosto próximo do nosso e observamos sua atitude:
filhotes extremamente dominantes vão rosnar e tentar morder nosso rosto.
filhotes independentes, vão tentar ir embora.
filhotes muito submissos e tímidos, vão evitar contato com os olhos.
filhotes que tentarem lamber nosso nariz, são menos dominantes e que não ficam sentidos com tanta facilidade.

Bom, depois de submeter o pobre bichinho a esse batalhão de provas, vamos tentar entender qual filhotinho é melhor pra cada um de nos. Uma família com crianças ou pessoas muito tímidas com dificuldade em dar ordens devem procurar evitar filhotes muito dominantes. Os filhotes mais dominantes costumam ser também muito inteligentes, mas só escolha uma encrenca dessas se você estiver preparado para um grande desafio por toda vida e se você for uma pessoa de caráter forte. Aqueles cachorrinhos muito tímidos, também merecem donos especiais. Muitas vezes eles acabam não sendo boa companhia (ainda mais se você tiver uma criança em casa) e podem ser muito medrosos. Se você se encantou por um deles, saiba que vai ser necessário muito trabalho e muita dedicação principalmente nos primeiros meses para fazer dele um cachorrinho sociável e menos medroso.

Agora só me resta desejar BOA SORTE com o novo peludo e ficar torcendo por aqui…

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
– Fischer, Gail Tamases e Wendy Volhard. “Puppy Personality Profile” – AKC Gazette, March 1985 pp. 36-42.
– Campbell, William E. “Behavior Problems in Dogs” – American Veterinary Publications 1975.
– Pfaffenberger, Clarence J. “The New Knowledge Of Dog Behavior” – Howell, 1963.

Todos os direitos reservados. Este artigo está registrado na Biblioteca Nacional e tem seus direitos autorais protegidos por lei. É permitida a sua reprodução desde que sejam colocados o nome da autora e a homepage origem.

O que saber antes de comprar/adotar um cachorro?

Muitas pessoas, quanto compram um filhote, estão enxergando apenas uma bolinha de pelos, engraçadinha e divertida, simplesmente adorável! Mas existe muito por trás desta coisinha fofa do que supõe a nossa vã filosofia.

Só para começar, você já pensou em que tipo de raça é a mais adequada ao seu estilo de vida? Já pensou quem é que vai ter que levar o cachorro para passear (pelo menos 3 vezes ao dia) faça sol ou faça chuva? Quem será o responsável pela alimentação e a limpeza dos “presentinhos” que vão aparecer eventualmente (talvez no seu tapete persa)? Um conselho: pode esquecer daquela promessa das crianças de que elas farão tudo sem reclamar.

Antes de você se apaixonar pela idéia de comprar um cãozinho para você ou para suas crianças, leve em consideração alguns pontos importantes para que você, sua família e o cãozinho não se arrependam mais tarde:

Qual a melhor raça para mim e minha família?
Procure se informar com treinadores profissionais e criadores sobre as características das raças que te parecem atraentes. Leve em consideração:

O tamanho do cachorro adulto e o espaço que você tem disponível (um Dog Alemão ou Fila Brasileiro podem se tornar um problema dentro de um quarto e sala);

Temperamento com crianças (Terriers e cachorros miniaturas são conhecidos pela falta de paciência com os movimentos bruscos de crianças pequenas);

Os cuidados necessários com o pelo (se você não quer gastar horas do seu tempo escovando Rex, melhor esquecer dos Collies ou Old English Sheepdogs. Mas não se esqueça que todos os cachorros soltam pelos, bem, talvez com exceção dos Pelados Mexicanos!);

A necessidade de exercícios para manter boa saúde física e mental. Cães originalmente criados para caçar (por exemplo Labradores, Fox Terriers, Pointers, Setters, Weimaraners e Beagles), demandam uma quantidade de exercícios que talvez você não consiga manter. A falta de exercício adequado vai resultar em destruição de papéis, sapatos, sofás, tapetes e de tudo que puder distrair um cachorro entediado;

Se você não pretende treinar o seu cachorro e não está pensando em calçar seus patins e ser arrastado pelo meio da rua, melhor esquecer cachorros que foram desenvolvidos para trabalhos pesados como por exemplo Malamutes do Alaska, Huskies Siberiano e Rottweillers.

Fêmea ou macho?
Esta é uma decisão muito particular, mas que deve ser levada em conta por toda a família. As fêmeas tendem a ser mais calmas e dóceis, menos agressivas e dominantes, além disso, tendem a ter uma massa corpórea menor do que os machos da mesma raça. Por outro lado, existe o cio (período em que a cadela está pronta para acasalar), que acontece, aproximadamente, de seis em seis meses e que pode causar algum problema. Principalmente se você tem estofados e tapetes brancos. Já os machos apresentam maior tendência a “marcar” o território deles com urina (que pode ser o pé da sua mesa de jacarandá, ou talvez a sua geladeira importada), além de “montar” (quando o cachorro fica agarrando pernas, braços, tapetes ou qualquer coisa na qual eles possam se esfregar), que se não for corrigido desde cedo pode se tornar um hábito bastante constrangedor para os donos da casa;

Filhote ou Adulto?
Filhotes são fofos e bonitinhos, mas também são um bocado de trabalho. Se você não tem tempo, ou não esta disposto a passar algumas noites sem dormir com o choro de um filhote, não quer conviver com o período de dentição em que os filhotes naturalmente roem tudo o que for permitido e estiver ao alcance, se você passa muitas horas por dia fora de casa e treinar o seu bichinho a fazer xixi e cocô no lugar certo vai ser um problema, pense na possibilidade de adotar um cachorro crescido e que não teve sorte na vida até agora.

Cachorros adultos podem ser excelentes companhias, mesmo que não tenham sido criados pelo donos definitivos. Muitos deles têm um verdadeiro sentido de gratidão pelos novos “pais” adotivos e são extremamente dóceis e obedientes. Existem algumas entidades, ou voluntários, que recolhem cachorros abandonados e tentam uma recolocação destes animais em lares conscienciosos e responsáveis. Considere uma visita a estes abrigos e converse com os responsáveis. Peça informações específicas sobre o cachorro que lhe interessar. Porque e como ele foi parar no abrigo, se apresenta alguma doença no momento ou se eles sabem de alguma doença no passado. Se o cachorro é tolerante com crianças, estranhos e outros animais. Grupos e entidades sérias nunca irão mentir para você, pois o maior interesse deles não é o de arranjar um lar qualquer para o cão, mas arranjar o lar certo, com os donos certos e o cachorro certo. Na grande maioria dos casos estes cachorros se adaptam muito bem ao novo lar e quando apresentam algum problema de comportamento, são facilmente resolvidos com a orientação de um treinador profissional, muito amor, carinho e paciência.

Se você quer mesmo um filhotinho, com raça definida e pedigree, esteja atento para doenças genéticas. Algumas destas doenças como por exemplo a displasia coxo-femural são mais comuns em determinadas raças do que em outras. Procure comprar seu filhote de um criador profissional. Evite comprar de lugares onde os filhotes ficam isolados em pequenas gaiolas sem contato com outros filhotes, com seres humanos, ou quando não puderem comprovar a procedência destes animais. Evite os que deixam os filhotes em lugares sujos ou onde eles recebem poucos estímulos. Não compre se você não puder receber garantias de que o filhote está livre de doenças, vermes e outros parasitas. Pergunte se o filhote tem as vacinas em dia e se já foi vermifugado. Peça para ver a mãe e o pai de se filhote. Analise o comportamento da mãe em relação aos filhotes e as pessoas, fique atento para sinais de agressividade excessiva (lembre-se no entanto que muitas fêmeas demonstram pouca tolerância a estranhos perto de seus filhotes). Observe se a mãe mantém o “ninho” limpo e arrumado. Filhotes que aprendem com a mãe a serem limpos são muito mais fáceis de treinar a fazer xixi e cocô fora de casa. Observe os filhotes em grupo e individualmente. Prefira os que não são muito dominantes (estão sempre montando nos irmãos e mordendo pés e orelhas) e os muito submissos (estão sempre sendo atacados pelos irmãos ou então estão isolados num canto). Definitivamente esqueça aqueles que tentarem te morder no rosto ou rosnar para você. Escolha com calma, não tenha pressa, afinal você está escolhendo um amigo que vai compartilhar com você a sua casa e sua vida pelos próximos 10 a 15 anos.

Quanto custa?
Outros pontos a serem considerados antes da compra ou adoção de um filhote são os custos. Ponha no papel os gastos com ração, veterinários, vacinas, banho e tosa se você estiver pensando numa destas raças que exigem atenção extra com o pelo, brinquedos, coleiras, shampoos e remédios. Pense também o que você vai fazer nas férias quando todos gostam de viajar mas nem sempre é possível levar o seu amiguinho. Lembre-se quem nem sempre pais, amigos e vizinhos estão disponíveis. Para a nossa sorte existem excelentes hospedagens em quase todas as grandes cidades do Brasil. Procure visitar algumas, antes que você precise deixar o seu cachorro hospedado numa emergência.

É permitido?
No caso de você morar em apartamento ou estar pretendendo se mudar para um, confira antes na convenção do condomínio se existem proibições quanto a posse de animais, restrições a tamanhos ou raças. Avise aos vizinhos do andar, peça a compreensão deles pelas primeiras semanas de adaptação do filhote e não esqueça de apresentar o seu filhotinho quando ele chegar. Quem vai ter coragem de reclamar se já tiver feito amizade com aquela simpática bolinha de pelos que abana o rabo tão alegremente (não se esqueça, com cachorros e vizinhos, é melhor prevenir do que remediar!).

E a segurança?
Torne a sua casa a prova de filhotes. Pense na segurança do seu novo amiguinho. Certifique-se de que ele não vai cair da sacada ou da escada. Tire todos os medicamentos e produtos químicos de armários ou locais em que seu filhote possa fuçar. Lembre-se que vidros a prova de crianças não são a prova de dentes afiados e curiosos. Retire objetos que são muito valiosos, acidentes acontecem!

Cuidado com o “monstro” que você pode criar.
Não permita nada ao seu filhote que você não permitiria a ele quando adulto. É lindo um filhotinho de Pastor Alemão enroladinho no seu travesseiro, mas é uma briga de foice tirar um cachorro de 50 quilos da sua cama numa noite de verão quando ele acha que o seu quarto é o único com ar condicionado forte o bastante. Não deixe as crianças alimentarem Rex na mesa com aquele pedacinho de fígado que ninguém gosta mesmo, se você não quiser ter um cachorro se esganiçando do lado do chefe do seu marido quando você oferecer um jantar em comemoração a promoção tão esperada. É uma gracinha o seu Poodle Toy te “defendendo” do namorado abusado, mas não é nada divertido quando o mesmo cachorrinho der uma dentada na sua pequena sobrinha que só ia te dar um abraço. Pense bem, use o bom senso e sua bola de cristal e preveja as conseqüências destes comportamentos no futuro. Prevenir, prevenir, prevenir. Esta é a palavra chave.

É preciso treinar?
Finalmente, considere levar o seu filhote (o ideal é entre 2 e 6 meses de idade) para aulas de socialização com um treinador profissional. Cachorros que aprendem a se comportar em público, no meio de outros cachorros, pessoas e ambientes diferentes são muito mais calmos, controlados e fáceis de se conviver.

Obs.: A socialização de filhotes deve ser feita em ambientes controlados e seguros, por um treinador profissional, onde só filhotes participem e cujo foco principal é dono, familiares e filhotes se conhecerem melhor e dividirem novas experiências. Treinamento formal onde punições estão envolvidas como correção devem ser evitadas até que o cachorro complete pelo menos 6 meses.

Ter um filhote, e mais tarde um cachorro adulto e idoso, é muito trabalho e grande responsabilidade, mas também é uma das experiências mais gratificantes que podemos ter.

Você está preparado para ter um cachorro?

Quando nós da Lord Cão resolvemos trabalhar com treinamento de cães, resolvemos também que iríamos trabalhar com os donos destes animais. A nossa responsabilidade maior seria ajudar aos donos a compreender o comportamento e aprender técnicas de treinamento para que eles, os donos, pudessem descobrir ainda mais os prazeres de se conviver com um cão bem educado.

Neste processo todo também passamos a desempenhar um papel importante de aconselhamento dos donos, e, muitas vezes, de agente de mudança no comportamento de toda a família. Na grande maioria das vezes isso tem sido um prazer e temos obtido bastante sucesso. Mas, como tudo sempre tem um “mas”, nem sempre nós conseguimos prevenir “catástrofes” e nem sempre nós conseguimos fazer com que os donos pensem antes de ter um cachorrinho, ou que os que já tem o cachorrinho mudem a sua forma de encarar este relacionamento.

A grande pergunta é então:
Você está pronto para ter um cachorro?
Parece ser uma pergunta simples e de fácil resposta, mas temos visto na prática que não é. Para vocês terem uma idéia, estas são as causas mais comuns de reclamações que ouvimos de pessoas que querem dar os seus animais.

O cachorro foi comprado pro meu filho que não cuida dele. Eu nunca quis ter cachorro em casa/apartamento.
É uma grande ilusão esperar que uma criança, ou mesmo um adolescente vá tomar conta de um animal, com todas as responsabilidades que estão envolvidas nesta relação. A maioria dos cachorros é uma ótima companhia para crianças e jovens, mas nem tudo é festa. Cachorros precisam ser alimentados, escovados, educados, banhados, exercitados, e amados com regularidade. Não dá para deixar o cachorro sem comida e sem passear porque apareceu um lugar legal para passar o fim de semana. Os pais devem estar conscientes que quando eles permitem que o filho tenha um animal, eles estão compactuando com esta adoção, e que, desde que o mundo é mundo, os cachorros sobram pros pais.

Se você não quer tomar conta do “neto” peludo diga não e bata pé. Seja firme. Você não precisa ter um animal, e todo o trabalho que vem junto, se você não quiser. Só não vale é deixar e descontar no bicho depois.

O cachorro é um amor, super bonzinho, adoro ele. O único problema é que
ele solta pêlos e eu detesto pêlos na casa.
É verdade. Cachorros soltam pêlos. Algumas raças mais do que outras, mas praticamente todos soltam pêlos. Cachorros pequenos não soltam, necessariamente, menos pêlos do que cachorros grandes (mesmo que os grandalhões tenham uma “área” bem maior) e, normalmente, cachorros de pêlo curto soltam muito mais pêlo do que os de pêlo longo. O pêlo curto também é muito mais difícil de limpar do que o pêlo longo.

Algumas pessoas têm alergia a pêlos, meu caso, e embora eu nunca tenha deixado de ter bichos por causa da alergia, o melhor é levar todos os membros da família até o canil da raça que se pretende adquirir e ver quem é mais sensível e, se mesmo assim, está tudo bem.

As raças que possuem o subpêlo (um pelinho mais curto, denso e fofinho junto ao corpo e por baixo do pêlo longo), são os que soltam mais pêlos na primavera e no verão, e que precisam ser escovados para se livrar deste pêlo.

Todas as vezes que eu ouço uma pessoa dizendo que vai dar o cachorro porque ele solta pêlos, duas imagens me vêem a cabeça: A primeira é de uma pessoa devolvendo uma blusa porque a lã pinica. A outra é de uma pessoa “devolvendo” o marido porque ele também solta pêlos e está ficando careca.

Nem tanto ao mar, nem tanto a terra. Mas seria bom que as pessoas se lembrassem que cães tem sentimentos, que se apegam e confiam em seus donos. Eles nunca poderiam imaginar que seriam “devolvidos” simplesmente porque eles soltam pêlos, e que todo amor que eles nos proporcionam não seria levado em consideração.

Na grande maioria dos casos a perda de pêlos ocorre intensamente nos meses da primavera e do outono (os cães estão “trocando de roupa”) e uma boa escovada no fim de tarde vai ajudar muito na relação entre o dono e o peludo.
O cachorro chora o dia todo porque está sozinho.
O cachorro late e chora a noite toda porque fica sozinho.
Ninguém gosta de ficar sozinho o dia todo. Nem um cachorro. Também não acho que qualquer pessoa iria encarar como sendo agradável a experiência de dormir sozinho no quintal ou trancado na cozinha. Posso entender e respeitar a decisão de uma pessoa que opta por ter um cão que vai ficar o dia todo sozinho, ou que prefere que o cachorro não fique dentro de casa, mas estas pessoas deveriam estar atentas que este não é um processo fácil para um cachorro. Especialmente se ele for um filhote. Cães são animais sociais, criados geneticamente para viver em grupos e se proteger mutuamente durante a noite.

Para tentar minimizar o problema é preciso que o dono reserve algum tempo do seu dia para se dedicar plenamente ao cão. Brincadeiras, carinhos e cuidados só pro peludo irão fazer com que ele sinta que também é parte da família e que também é aceito por esta família. Caso contrário ele irá se sentir como um cão proscrito. Aquele que é obrigado a viver à margem da matilha, sem poder chegar perto e compartilhar do aconchego, calor e segurança do grupo. Também nestes casos, em que os donos passam muitas horas do dia fora de casa, ou que o cachorro irá viver do lado de fora, é mais aconselhável escolher uma raça que seja naturalmente mais independente do que outras. Só não vale depois ficar reclamando que o cachorro não liga muito pro dono e prefere o caseiro.
Minha casa está com cheiro de cachorro.
A menos que o cachorro esteja doente, é muito provável que a casa esteja cheirando a morrinha por descuidos do próprio dono e não por culpa do cachorro. As grandes causas do mau cheiro do cão, e por conseqüência da casa, são a falta de cuidados essenciais na higiene do animal. Cães com orelhas grandes e caídas tendem a ficar com a ponta das mesmas cheia de comida. É preciso verificar depois de cada refeição se as orelhas precisam de uma limpeza. O mercado já oferece um tipo de comedouro especial para cães orelhudos, muito mais estreitos que os comuns, o que evita que as orelhas participem do jantar.

Também é comum que estes cães apresentem problemas de infecções ou fungos, já que as orelhas ficam muito abafadas e úmidas. Uma limpeza semanal e uma visita ao veterinário no primeiro sinal de excesso de cera, ou mau cheiro, vão manter o seu cachorrinho sem problemas e cheirinhos desagradáveis. Um outro ponto pouco observado pelos donos em geral são os dentes.

Os cães comem e não escovam os dentes. Os dentes ficam cheios de tártaros e as gengivas inflamadas. O cachorro fica com um bafo de dragão. O cachorro lambe o pêlo. O cachorro todo fica com cheiro de dragão. O cachorro se esfrega nos móveis. E a casa do dono fica cheirando a jaula de onça. E olha que o mau cheiro é o menor dos problemas que o tártaro pode causar pro cachorrinho. Infecções sérias, que podem comprometer toda a saúde do cão, podem ter início numa boca mal tratada.

Mesmo que o seu cachorro tenha a boca e os dentes limpinhos, o pêlo também precisa de alguns cuidados. Escovar para retirar o pêlo morto, e secar muito bem o pêlo para não dar fungos e nem a famosa “inhaca” de cachorro, ajudam a manter o ar mais fresquinho.

Finalmente: O jornal. Cães que usam jornal para fazer xixi e cocô precisam ter o jornal sempre limpinho. Até os cães agradecem.

Agora, só mais uma perguntinha: Você não pensaria em por sua sogra pro lado de fora só porque ela usa um perfume muito forte, né? Bem, neste caso, talvez.
O cachorro cavuca o jardim, o cachorro rói tudo, o cachorro não para quieto, o cachorro morde.
Quantos anos tem o cachorro? Três meses!

Gente, este cachorro é só um bebê, e vai ser um bebezinho pelos próximos 5 meses. Tá bem que ele pode e precisa ser educado, mas vamos com calma. Ninguém cogitaria dar uma criança porque ela brinca e põe coisas na boca o tempo todo. Um filhote adora aprender coisas novas, e a grande maioria aceita bem a disciplina de um NÃO dito de forma bem firme. Não desista do seu filhote só porque ele é uma peste. Enquanto ele amadurece e cria “juízo” uma escolinha de obediência básica irá fazer milagres no relacionamento de vocês. Os dois vão se descobrir de uma maneira única. Os impulsos destruidores vão ser direcionados para exercícios e tarefas mais construtivas.

O cachorro também aprende a se comunicar com o dono e passa a admirá-lo ainda mais. Cachorros adultos, que continuam sendo pestes depois dos 2 anos, também se beneficiam imensamente de um cursinho de obediência.

Acredite-me, um dia a gente acaba até sentindo falta destas maluquices todas de filhote.
Eu sei que eu não tenho tempo, eu sei que esta raça é difícil, mas ele era tão bonitinho.
Biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiipp. Resposta errada.

Resista, insista. Vá pra casa, pense e ligue depois. Melhor ainda, ligue semana que vem. Se você tem dúvidas se quer mesmo um cachorrinho não compre até ter certeza (ou o mais próximo disso possível). Um filhotinho é lindo, mas é um monte de trabalho junto.

Quem vai ensinar ele a fazer xixi e cocô no jornal? Quem vai levá-lo para passear 3 vezes por dia? Quem vai limpar as caquinhas eventuais? Quem vai educá-lo para não roer o sapato caro? Quem vai bancar as despesas de vacina, veterinário e ração? Quem vai aguentar quando ele estiver chorando porque quer dormir na cama? Quem vai ficar em casa no feriado se não tiver mais vaga na hospedagem? A resposta para todas estas perguntas deveria ser dada por todos da família, mas nem sempre é assim. Então volte até a afirmação “O cachorro foi comprado para o meu filho” e pense tudo outra vez.
Qual o melhor cachorro para apartamento, que solte pouco pelo e
que fique sozinho o dia todo?
O de pelúcia. E que não use pilhas!

Não existe cachorro perfeito. Não existe cachorro mudo. Não existe cachorro sem personalidade. Não existe filhote que vá passar o dia inteiro sozinho e ainda assim vai aprender onde fica o jornal, onde ele pode ou não pode dormir, o que ele pode ou não pode roer. Principalmente: Não existe filhote emocionalmente ajustado e feliz que passe o dia inteiro trancado na área ou no banheiro de empregada, sem interagir com pessoas.

Se você trabalha fora o dia inteiro e quer ter um cachorro procure seguir algumas dicas:
» Só pegue o filhote quando você for tirar férias. Assim você vai ter, pelo menos, 30 dias pra ensina-lo o básico do básico e para estimular o seu filhote, socializando-o e estabelecendo um padrão de confiança com os seres humanos.

» Arme um esquema com a sua empregada ou diarista. Talvez ela possa vir um dia a mais na semana e também fazer companhia para o novo membro da família. Converse bastante com ela e certifique-se de que ela gosta de cães e que não se importa de brincar, passear e limpar o jornal dele.
O cachorro não tem educação e eu não quero gastar dinheiro com treinamento.
É bastante razoável que um cachorro não venha com manual de instruções e que também não saiba de cór as regras de convivência com os humanos, mas não se desespere. Tem muita coisa que se pode fazer para educar um filhote sem precisar gastar dinheiro. Sempre dá para pedir para um amigo entrar na Internet e visitar várias homepages sobre comportamento canino – a Lord Cão tem uma homepage, lembra?. Também sempre dá para comprar uma ou outra revista sobre animais que vem com um artigo importante. Mas acima de tudo, use o bom senso: toda a filosofia de se educar um cachorrinho está baseada em amor, paciência e persistência, e isso não custa nada.
Eu quero viajar, passar o fim de semana fora, saracotear, mas cachorro prende muito. Treiná-lo 20 minutos por dia?
Impossível, o cachorro vai embora.
É verdade, cachorro prende muito. Cachorro precisa no mínimo de 20 minutos de atenção todos os dias para se manter obediente e educado (para ser feliz ele vai precisar um pouquinho mais do que isso). Cachorro vive, em média, de 10 a 15 anos.

Toda vez que eu encontro alguém que está determinado a pensar desta maneira, que definitivamente acha que não vale a pena dedicar nenhum minuto do seu precioso tempo para o cachorro, que isso é problema do caseiro, eu recomendo que eles procurem o mais rápido possível uma nova família para o peludão. O pobre cão merece coisa melhor.

Na verdade todos nós sonhamos com o cachorro perfeito. Lassie e Rin-Tin-Tin só existem, lindos e perfeitos, no cinema e nos filmes de “sessão da tarde”. Por trás de um cachorro obediente e inteligente existem muitas horas de dedicação ao animal e ao seu treinamento. Mesmo que você não esteja querendo um cão capaz de proezas dignas de fazer inveja ao Flipper, é preciso entender que estamos lidando com um ser vivo que tem sentimentos, expectativas e que pensa (disso eu não tenho a menor dúvida). Um cão também sofre de estresse, ansiedade, melancolia e depressão. Cães também são capazes de amar incondicionalmente, de nos dar alegrias, de nos fazer rir e de nos consolar. Como todo relacionamento é preciso seguir regras básicas para se ter o melhor de um grande companheiro. É preciso ser generoso, ser dedicado, ter respeito e se fazer respeitar.

Ninguém precisa ter um cachorro, mas seria muito bom se todos os que os têm tivessem pensado muito bem antes comprar um, e que tivessem abraçado de coração o compromisso de cuidar dele com muito amor e carinho.

Eu também queria ter um filho como Wolfgang Amadeus Mozart.